sexta-feira, 15 de janeiro de 2010


Não raras vezes, ignoramos a verdade.
Aceitamos mentiras que nos são docemente impostas apenas para evitar o desconhecido ou o que nos assusta.

Um dia escrevi... hoje publico.
Os meus tempos de reacção a coisas complicadas não são nunca os melhores. Ou respondo num impulso e complico ainda mais o problema, ou demooooooro imenso a responder, porque fico a pensar na coisa e consigo o mesmo resultado, da resposta, impulsiva no entretanto.
Está visto que tenho um problema.
Portanto,ou melhoro os meus tempos de resposta ou arrisco-me a dar em doida.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009


Por vezes, a vida dá-nos mais do que esperamos. Mais do que sonhámos.
Se a vida me tem dado só o que quis... não tinha sido tão feliz, não tinha aprendido, ensinado, crescido, dado, recebido, acertado, errado, ganho, perdido... sofrido tanto.
Se a vida me tem dado o que sonhei...
Nada seria diferente...

Porque a vida é isto mesmo, um monte decisões e indecisões, certezas e dúvidas que nos empurram, ainda que para baixo, sempre para a frente.

sábado, 3 de outubro de 2009

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.



Fernando Pessoa

E assim vai o espírito...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

De volta


Lá começa mais um ano... de trabalho, claro.
Uma porta, sempre aberta, por onde entram alguns ansiosos, uns quantos entusiasmados, dois ou três atrevidos, uns cheios de receios, outros com medo de ser abandonados e outros ainda com mais receio da atenção que podem receber.
Dos pais, nem se fala. Há os que nada esperam da escola e os que esperam soluções milagrosas para o que lhes falta nas vidas.
Todos cheios de sentimentos para partilhar, bons ou maus, pouco importa. Tudo se partilha, mesmo quando as vontades são pequenas.
É sempre a mesma coisa quando o ano começa.
O medo agiganta-se.
As dúvidas multiplicam-se.
Saberei valorizar o que têm para me ensinar?
Conseguirem dar-lhes o que precisam?
A sensação de segurar nas mãos a responsabilidade do sucesso destes meninos pesa mais do que imaginava quando comecei estas andanças.
Esta é a consciência de todos os que querem ser professores... mas depois há ministros que nos distraiem enquanto os meninos nos entram pelas salas ansiosos, entusiasmados, atrevidos, receosos e cheios de esperança.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Imagens... para quê?!

Tenho um amigo... Ou não tenho?!
Sei que ele quer ser meu amigo, acho que já é.
Eu estou a aprender a ser sua amiga, porque ser amigo nem sempre é fácil e há amigos difíceis de aprender a gostar. Sim, porque é preciso saber gostar.
E enquanto penso que ainda não aprendi, o amigo deixa-me lágrimas nos olhos.
Porque este homem é mulher no sentir.

Então e a dor?
Acham que conhecem a dor?
Por acaso a sentiram alguma vez, nas tripas, ao ponto de nem conseguirem gritar?
A dor de entender um pouco, ou de não gostar de como isto tudo é, ou de gostar demais que é a mesma coisa, a dor de estar a torcer-me de dores por já não conseguir sentir dor, a dor de estender-me para ti, e para ti, e para ti, e tu não estares lá, a dor de querer tanto e afinal não existir nada, e de te comer e ficar com tanta fome, como se o deserto...

O deserto está nos corpos? Ou nas almas? E as almas? Onde estão as almas? Dizem que sou insatisfeita compulsiva. Sei lá o que é isso do compulsiva.
mas insatisfeita, estou. Isto está errado. Está errado, porque a vida é muita e não cabe. E eu sinto dor. E não sei a quem dizer, mas sinto tanta dor de não estar morta. De não estar viva por não estar morta. E eu queria estar morta, para parar de sentir estes nervos, esta coisa que não sei dizer a ninguém nem sequer a mim. A mim eu digo, mas depois não compreendo, e tu...

Tu apareceste e não viste nada. Mas eu vi-te. És a solução errada de tudo o que está certo. E sei que não vai dar, mas se desse... Se desse, a dor... Matei um veado em sonhos, e o veado era eu, era uma corça, e estava com cio, as corças... um dia ouvi, numa floresta, o grito dos veados com cio, e era tão parecido com isto. Isto não sei que nome tem. Mas não é morte. Também não é vida. É dor, pronto. Apareceste e não viste a dor. E abracei-te com tanta força, e quis morder-te para sentires dor, mas não mordi. Nunca mordo.
Nunca morro. Nunca sei.

Estou a cair, e nunca sei cair, e tu abraçaste-me. Dei-te o meu corpo, e não deste pela dor. Como é possível? Acho que te amo. Sei que estou morta e que te amo, como o grito do veado, como o volante do meu carro quando acelero, como as curvas perigosas, como a melancolia, como a dor.

E se me abraçasses. Era tão diferente se pudesse ser diferente. Estou tão confusa porque sinto dor. Tão confusa. Não sei quem matar. Já estou morta, não sei quem matar. E se me matasses. E se me abraçasses, e me matasses, e eu te dissesse ao ouvido que a vida sem dor é que é, com música, com música, que surdo, que surdo que isto tudo é...


Manuel Cintra

quarta-feira, 27 de maio de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

Boa noite

E ele ali tão perto... Com um daqueles amuos que ninguém sabe ao certo de onde vêm.
Cheguei tarde da minha formação, mas ainda com trabalho para terminar, dos putos nem sinal (soube que o mais novo foi para a cama quase sem comer) e ele ali... à frente do pc, a cuscar na net, a jogar um joguinho de cartas e... a cuscar na net.
Sentei-me à frente do MEU pc e lá fui terminar o que não consegui no raio da formação.
De vez em quando um sorriso começava a chegar lá do outro lado.
E, mais de vez em quando ainda, um abanãozito na mesa.
A expressão lá foi desanuviando e a pressão também.
Era música que, do outro lado, se ouvia.
No entretanto um pedaço de chocolate criminoso e muito de vez em quando um "tens de ouvir isto" ou um "ouve só um bocadinho".
Que bom que há chocolate!
Que bom que há música!
O dia ainda vai terminar com uma boa noite e isso é tudo o que interessa.

domingo, 10 de maio de 2009

Amigos


Não acredito em melhores amigos.
Há amigos.
Damos e recebemos coisas diferentes a e de todos.
Não acredito em amigos de longa data.
Depois de os sentirmos como amigos a antiguidade não conta.
Não há amigos iguais e não os sentimos a todos como iguais.
Não gostamos de todos os nossos amigos da mesma forma.
Claro que fazemos distinções entre os amigos, há em todos algo de nós ou em nós algo de todos eles. Nunca há tudo de nós neles nem tudo deles em nós...
Acredito que temos amigos diferentes do que somos e sentimos.
Porque é que são nossos amigos?!
Porque há alguma coisa que invejamos (embora raramente, a inveja pode ser uma coisa boa) uns nos outros ou porque também se aprende e cresce com a diferença.
Não acredito no "amigo do meu amigo...".
Algumas vezes, o amigo do meu amigo continua a ser apenas isso mesmo. Caso contrário seria também meu amigo, porque nesta coisa de amigos ou se é ou não.
Acredito que um amigo possa deixar de o ser. Se quiser ou se quisermos. Nunca porque alguém o obriga.
Acredito em zangas e reconciliações entre amigos.
A amizade depende da reciprocidade.
Acredito que podemos cativar ao ponto de ganharmos um amigo e vice-versa.
Não acredito que os laços de amizade se criem num dia.
Acredito que há amizades que demoram a acontecer.
Sei que há amizades que se pressentem impossíveis ao primeiro contacto.
Não acredito em "meios amigos", não há mais ou menos amizade.
A amizade tem de ser inteira. Ou há ou não há.
A um estranho ajudamos quando precisa ou quando nos pede, isto não é amizade é solidariedade.
A um amigo não ajudamos, partilhamos soluções, recursos, emoções...
Temos segredos que guardamos dos nossos amigos,coisas parvas e pouco interessantes, e outras que não têm propriamente a ver connosco mas sim com terceiros que não queremos ver mal entendidos e injustamente julgados (porque são nossos amigos).
Aquilo que somos, a nossa essência, não a escondemos dos amigos. Não temos medo que nos leiam, não receamos que não nos compreendam. Porque, com os amigos, podemos sempre argumentar e tentar que nos entendam.
Acredito que a amizade acontece porque se quer e não por acaso.
Acredito que podemos querer ser amigos de alguém que conhecemos por um qualquer acaso.
Acredito que a amizade não se mede pela quantidade de amigos que se tem.
Os amigos não se coleccionam porque não podemos guardá-los em vitrines.
Os amigos guardam-se no coração e o coração não tem prateleiras.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O Rapaz dos Retrovisores


Em todas as terras há pessoas diferentes, especiais. Tão especiais que se tornam como que símbolos dos lugares onde vivem. Todos os da terra os conhecem e aos forasteiros dão-se a conhecer.
Em Penalva havia um rapaz, nunca deixou de ser um rapaz, que alegrava todos, fazia os recados a quem lhe pedia, falava alto e nunca ninguém percebia à primeira o que dizia. Corria pela vila apenas porque não conseguia evitar aquelas corridas loucas.
Não fazia mal a uma mosca, mas alguns fizeram-lhe mal. Ensinaram-lhe que para ser um homem devia beber... e, para receber o que pensava ser atenção e respeito, aprendeu a beber. Acho que nunca chegou a perceber que esses não o respeitavam.
Há um homem que desde que percebeu que para ser feliz devemos fazer o que nos dá prazer começou a correr. Corre até hoje, todos os dias e ganha corridas. Ganhou a mais importante de todas, o respeito e a admiração dos seus conterrâneos.
Nos Açores encontrei outros assim especiais.
Os dois do mesmo lugar, coincídências...
Um, jovem, caminha pela terra com um aparelho estranho. Nunca soube se criação sua ou de outros. Chamei-lhe o rapaz dos retrovisores. Nunca o vi sem eles. Eram um dispositivo estranho, que segurava nas as mãos, com uns espelhos retrovisores adaptados. Um ano mais tarde, quando voltei a vê-lo já o aparelho era mais sofisticado e podia ser suportado pelos ombros o que lhe permitia libertar uma mão, que a outra estava ocupada com a "condução" (o rapaz não usava aquelas calças especiais que permitem uma melhor aderência ao volante e, na verdade, nem sequer conduzia sentado), mas como dizia, libertava uma mão que usava como telemovel. Sim, a mão era o telemovel.
No mesmo lugar, vivia uma velhinha, curvada pelo peso da idade, que caminhava devagar e que carregava sempre a mesma e enorme saca de sarapilheira que devia ter sido, um dia, castanha e que parecia pesada. Quase todos os dias a encontrava em Vila Franca do Campo. Um dia sentou-se à minha porta e quando nos viu chegar pediu desculpa e aproveitou para perguntar se eu tinha um balde. Percebi a urgência, expliquei-lhe que não tinha um "balde" mas algo parecido e convidei-a, desculpando-me, a subir a escada íngreme para chegar à casa de banho. Temi que recusasse. Não... aceitou e agradeceu.
A senhora está à espera de alguém? (Pensei, pois ela estava sentada num degrau duma casa na rua principal, só podia esperar alguém)
Claro que esperava, uma boleia incerta com nome e tudo mas só porque às vezes passava por ali àquela hora. A última camioneta já tinha sido perdida à conta desta boleia incerta ou de outras, importante mesmo era evitar o gasto do bilhete. Alguém havia de passar e levá-la de volta ao lar.
E se não vier, como fará?
Vou a pé, mas alguém há-de passar.
E não é que tinha razão?! Por algum motivo ela tinha pousado à minha porta!
Venha lá, que eu levo-a. Onde mora?
Em Água de Pau.
Céus, a sete ou oito km dali. E esta velhinha aventureira percorria-os a pé, MESMO, porque já a tínhamos visto outras vezes à beira da estrada.
Lá peguei na saca de sarapilheira que pesava, ao que me pareceu, uma tonelada.
A caminho do carro lá tive de ouvir o taberneiro dizer:
Vás incomodá a senhôra, porque não foust na camiunét?!
Pelo caminho interrogou-me acerca da família. Disse-lhe que tinha três pequenos.
Nan se qué más... Nan se qué más, q'rida!
Vou voltar aos Açores...
Gostava de voltar a ver estas personagens.
Estou curiosa...
Será que o rapaz dos retrovisores já tem um telemovel?

domingo, 3 de maio de 2009

Vazio


Cento e vinte e três dias de 2009 estão passados, ou quase. Destes, alguns deviam ter sido especiais, alguns foram... nem todos pelas melhores razões.
Pela amostragem, 2009 será ano de colheitas más embora a sabedoria popular preveja bom pão e vinho. Mas nem só de pão vive o homem e, por mim falo, eu não consigo viver só com isto. O que resta é pobre e começo a sentir-me desnutrida.
A tolerância é o nutriente maior na cadeia alimentar do espírito e começa a escassear. Tem sido tão rara que já não me lembro do que seja. Não a sinto, não a manifesto... Devo ter esgotado todas as reservas...

quarta-feira, 29 de abril de 2009


"Estou aqui não porque deva estar, nem porque me sinto cativo nesta situação, mas porque prefiro estar contigo a estar contigo a estar em qualquer outro lugar no mundo." Richard Bach

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Preconceito

É de Marc Besas e esteve no Fantasporto, com direito a prémio e tudo.
Descobri tarde...


The Legend of the Scarecrow from Carlos Lascano on Vimeo.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Mãe(s)


Vou a Penalva.
Quero ir.
Quero sentar-me ao pé da campa da minha mãe.
Não queria precisar deste ritual.
Que me perdoe o meu pai.
Mas é a falta dela que me dói.
Ela esteve cá para atenuar a dor da ida do meu pai.
Agora penso, quem a ajudou a ela quando chegou a hora dele?
A minha mãe gostava de mim. Eu sei que gostava.
Começo a esquecer-me de me lembrar de lhe telefonar sempre que faço um cozinhado dos dela.
E eu não queria esquecer-me.
Apesar de tudo, quando pensava, vou telefonar à mamã, a sensação acabava por ser boa porque me lembrava das suas palavras.
Também podes fazer assim, ou daquela outra maneira... e se ela dizia, estava dito.
Por ela sabia as notícias da família, dos amigos, dos conhecidos e dos desconhecidos(conhecidos dela), da vila.
Agora ficou a minha madrinha.
É ela que me faz o relatório do que se passa por lá.
Dá-me aquelas coisas saudáveis que a terra também dava à minha mãe.
Foi ela que me ficou no lugar da minha mãe. Não é isso que as madrinhas devem ser?
Nunca antes tivemos uma relação tão próxima.
Saberá ela dos medos de minha mãe?
Ficou a tia Teresa, irmã mais velha das duas, para receber o meu mimo (escasso).
Ficaram as duas para me dar um pouco da minha mãe.
Não me despedi da minha mãe.
Nunca disse adeus.
Faz-me falta a minha mãe.

segunda-feira, 30 de março de 2009


Lembro-me de, há muito tempo, mesmo bastante tempo,ter escrito qualquer coisa sobre relações abertas.
Um destes dias, alguém me disse que alguém tem uma relação aberta.
O que é isso?!
Sabes?!... Estão juntos mas cada um pode estar com outras pessoas quando quiser.
Ah! É isso?!
Então estão juntos porquê?
Porque é que não podem ser, um para o outro, outra pessoa com quem querem estar de vez em quando?
Percebem?
Eu, mesmo assim, não percebo.
Talvez seja velha demais para isto.
Talvez a culpa seja do que aprendi.
Mas... se quisesse estar com outra pessoa não precisava de viver com uma primeira.
Viveria sozinha e quando quisesse companhia procurava-a.
A não ser que haja algum tipo de benefício desta relação...
Eu achava que uma relação aberta era aquela que nos permitia ser transparentes e esperar do outro a mesma transparência.
Pois se eu posso dizer tudo o que penso, queixar-me de tudo o que me aborrece, amuar quando me apetece,dizer não quando não quero, dizer sim quando quero, pedir quando preciso, gritar, chorar, rir... não terei eu uma relação aberta?
Se mantenho uma ligação mais intima com várias pessoas ao mesmo tempo, mesmo com a concordância de todas, então eu não tenho uma, mas várias relações, mesmo que abertas.
Não engano ninguém (?),elucido todos à minha volta da minha opção mas, perdoem-me, não mantenho UMA relação.
Verdade, verdadinha, eu até acho que nem existe isso de relação aberta. Nem duma forma nem doutra. Há sempre alguma coisa que se esconde (e nem falo de mentira, falo de omissão).
Não, também não sou crédula ao ponto de acreditar no amor eterno. Mas acredito que as relações entre duas pessoas só podem resultar se houver amor.
E também não acredito em relações em que só um ama nem que se alimentem só de amor.
E também já não acredito que possamos confiar sempre a 100% no outro.
Acredito que podemos escolher confiar.
Não acredito que as relações se construam ou desmoronem por causa de um elemento alheio a ela.
Acredito que uma relação entre duas pessoas depende apenas delas próprias.
Perdoem-me os liberais (perdoe-me eu mesma) se me engano, mas homem que viva comigo não gosto de partilhar ( em termos íntimos falando, of corse).
Se me dou por inteiro não espero menos que isso.
E, por enquanto, escolho confiar que assim é.
Acho que a humanidade fez um caminho que incentiva o facilitismo. E este tipo de relações abertas é consentâneo com a teoria da preservação da espécie.
Simples e eficaz na maioria das vezes.
A relação monogâmica é cada vez mais difícil de construir e alimentar.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Perfume


Porque será que tenho tanta dificuldade em memorizar as caras das pessoas com quem me cruzo?!
Lembro-me do tempo em que bastava um olhar para fixar a fisionomia de alguém.
Quando e se nos voltassemos a cruzar eu saberia dizer onde e quando tinha visto aquela pessoa.
Hoje já não consigo esta proeza.
Hoje vi... amanhã não lembro...
É como se , de repente, perdesse qualquer capacidade de discriminação visual.
Todos são iguais, todos são diferentes.
É-me indiferente que sejam uma coisa ou a outra.
Os nomes das pessoas... os nomes são mesmo difíceis.
Só consigo fazer corresponder um nome a um corpo depois de bastante tempo.
Mas, pensemos um pouco: um nome pode representar quase nada.
O mesmo nome é usado para indicar tantas pessoas!!
Os nomes (perdoem-me os que valorizam esta questão) são quase como que etiquetas, rótulos.
Se não estamos familiarizados com o conteúdo do frasco, recorremos ao rótulo (Ah!!! isto são oregãos, bolas, são parecidos com o mangericão!).
Se sou eu que faço o doce de tomate nem etiqueto o frasco. Fui eu quem fez! Fui eu quem embalou! Doce de tomate até é comum em casa!...
Acho que acontece o mesmo com as pessoas.
Quando consigo apoderar-me, por pouco que seja, da sua essência já consigo fazer corresponder os dois.
Já com os cheiros a relação é diferente.
Há pessoas que têm cheiros que são só delas.
Há cheiros que são de muitos.
Há cheiros que são únicos, tão únicos que os "colamos" a alguém.
Água de colónia perfumada com rosas lembra-me a minha mãe.
Durante muito tempo (os perfumes duravam uma vida com a minha mãe) recordo o frasco transparente da água de rosas que punha ao Domingo para ir à missa ou em alguma outra ocasião especial.
Há pessoas que usam o mesmo perfume durante tanto tempo que se confundem com eles.
Lá voltamos à vaca fria: não sei os nomes dos perfumes nem dos seus criadores, conheço-os pelos que os usam.
Há o perfume da Dina.
E o da Anabela (que aposto é o mesmo depois de dez anos sem a ver).
E o da Marta.
O da Lenea, que tem a particularidade de ainda se sentir suavemente no nosso quarto dos amigos.
E há o cheiro da minha mãe.
Até eu já tenho o MEU perfume, porque nunca usei outro até ao dia em que me atraiu numa loja em Paris.
Até já há quem o reconheça, de facto, como o meu cheiro (o que me deixa bem feliz).
Mais cedo ou mais tarde, acabo por descobrir o odor de cada pessoa que se demora na minha vida.
Há pessoas que não têm cheiro.
Nem bom... nem mau...
E quando alguém, subitamente, deixa de me cheirar...
Não vai demorar-se...
Conclusão?
Tenho a memória directamente relacionada com o olfacto?!



quinta-feira, 26 de março de 2009


Um destes fins de semana encontrei-me com alguns Bloggers.
Não costumo visitar muitos blogues, a menos que tenha tempo e sossego antes do cansaço acabar com qualquer capacidade de interpretação (coisas da PDI) ou do tempo que a espera demora para acabar e se tornar... qualquer coisa mais agradável.
Também não costumo escrever muito, como sabe quem passa por aqui...

Adiante..

Como dizia, tive um encontro algo inesperado com gentes da blogoesfera.
Um deles (por acaso, uma ela) disse: "Acho que as pessoas me visitam (entenda-se: no Blogue) porque escrevo todos os dias."
Engano seu...
As pessoas só a visitam porque escreve bem, ou devo dizer, muito bem?
Passei por lá e, valha a minha opinião o que valer, gostei da forma como escreve, como descreve, invejei como sente e faz sentir.
Por mim, quando crescesse nesta coisa dos blogues, se algum dia crescesse, também gostava de ser assim.
Talvez... um dia... consiga escrever todas os meses...
Todas as semanas...
Só já perdi a esperança de conseguir ser uma princesa.

quinta-feira, 19 de março de 2009





Porque hoje o dia era do PAI...

Tem mão para a cozinha, o rapaz.

domingo, 15 de março de 2009



Afinal havia outra... razão para a ausência de acentos nas palavras.

Papel e caneta e (acento agudo) que e (acento agudo)


Amigos...
Amigos dos amigos...
Foi assim que começou o meu fim de semana.
Blogue puxa blogue, Ttwiter puxa Facebook, passando pelo Messenger e la confirmei que destas coisas pouco ou nada sei.
Hoje puxa amanha e la resolvi vir dar uma volta pelos bloguitos ca de casa. Determinada, la me deixei levar na onda e pus-me a escrever. Foi so preciso uns segundos para ficar com vontade de mandar isto tudo a uma certa parte.

O QUE E QUE SE PASSA COM ESTA TRETA?!

Entao o acordo ortografico ja esta em vigor e com actualizaçoes (perdao, atualizaçoes)???
E que eu nao consigo acentuar nenhuma palavra. Isto e normal?
E uma falha grave que agudiza a minha relutancia em escrever.
Um nao sem til nao e um nao.
Um e por acentuar nao e um e, e um e.
Percebem?!
Estou ffff...ula.
Sera do computador?
Sera do programa?

Serei eu que sei menos disto do que me deixaram a pensar ontem???

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Janeiro, 16


A BEA JÁ ANDA!

A Bea anda porque quer muito andar.

A Bea anda porque tem uma família que lhe mostrou trilhos de coragem, de perseverança e de fé.

A Bea anda porque já construiu uma estrada de alegria, risos e ternura que vai amortecer qualquer queda.

Anda porque está cansada de esvoaçar... sim, porque para a Bea, ANDAR é VOAR.


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

DOR


Dor, substantivo, feminino, sofrimento físico ou moral.
Tinha de ser uma palavra do género feminino.
Sim, os homens também sofrem.
Sofrem como uma mulher?
Não sei.
Talvez…
A dor tem muitos rostos.
A dor esconde-se…
Esconde-se na promessa duma vida melhor.
Esconde-se na emoção de um momento.
Disfarça-se numa aventura com fim anunciado.
Espreita pelos olhos febris de um filho.
Embala-se numa mama.
Espalha-se pelo corpo.
Abraça todos os que a rodeiam.
Conta com o medo para se tornar mais forte.




Encolhe-se com medo de um sorriso.
A dor é fraca, afinal…
Aqui fica o meu desejo para 2009:
Que seja pleno de sorrisos

sábado, 29 de novembro de 2008

Esses olhos...


É de arrepiar!
Dizem alguns do que os toca fundo (tenho cá um em casa que é um arrepiado de primeira).
Ele é o Hino nacional num jogo da selecção.
É uma poesia.
É uma paisagem.
É um momento fugaz...
Não sei o que isso é.
Não me arrepio... a não ser de frio.
Os meus arrepios são mais acima.
Eu tenho um problema, de certeza. Só pode!
A mim, o que me impressiona humedece-me ou seca-me anormalmente os olhos.
Não consigo evitar as lágrimas no primeiro dia da primeira escola dos filhos.
Ou quando falo com as "minhas" mães sobre os feitos dos seus.
Ou quando me falam dos sucessos dos "meus" meninos.
Ou quando me dizem algo que me cala bem fundo.
E as palavras e as paisagens e o Hino... também me deixam a lágrima no olho.
E os filmes... céus, os filmes, o que me fazem chorar...
Mas nem sempre é assim.
Muitas vezes, os meus olhos ficam anormalmente secos.
Hoje ouvi palavras que, não, não me arrepiaram.
Não me humedeceram os olhos mais que o normal.
Mas isso foi porque foram daquelas mesmo especiais.
Daquelas que ficam durante muito tempo na nossa cabeça.
Daquelas que parece que já conheciamos sem nunca ter ouvido.
Os meus olhos ainda estão a pensar nelas.
Os meus olhos são estranhos... têm uma vontade como que própria.
Um dia destes talvez chorem por estas palavras que hoje ouvi duns outros olhos...


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Banca de Sonhos




Banca de Sonhos
Foi o desafio que lançámos às nossas crianças lá na escola.
Enquanto espero por mais respostas,aqui ficam algumas:

"É um lugar onde se guardam sonhos."
"Podemos sonhar a dormir ou acordados."
"Sonhar acordados é imaginar."
"Acordados sonhamos mais sonhos bons do que maus."

A E. tem um sonho azul.
E o seu sonho é a três dimensões (suspeito que não são só três, mas muitas) e, se ela deixar, há-de ter também o seu próprio sonho, da cor que bem sonhar.
Eu tenho muitas vezes, demasiadas vezes, pesadelos, que são o mesmo que sonhos mas em mau.
E os meus pesadelos também têm formas e volumes e vontades.
Mas são muitos, preferia que fossem menos.
Sinto-me Quixote lutando contra sonhos que os outros teimam em entender moinhos de vento.
Esgotam-me e fazem-me esquecer que é possivel sonhar sonhos bons, sobretudo e tendo em conta que os sonho acordada.
O meu sonho é sonhar sonhos bons.

domingo, 16 de novembro de 2008


Quando cheguei era a adolescente com mais responsabilidades que tinha conhecido até então.
Cuidava da casa e dos irmãos enquanto os adultos estavam fora.
Ajudava o mais velho com os trabalhos da escola e mimava o Junior (nome carinhoso escolhido pelos novos vizinhos/inquilinos).
Aluna exemplar, vivia com os olhos postos no futuro.
A negativa, um dia, no teste de Matemática deixou todos surpresos.
A Mãe zangou-se.
Eu zanguei-me com o rotweiler. Foi ele o culpado.
Que Irmã-Mãe assiste impotente ao ataque súbito duma besta ao seu menino e consegue um espírito objectivo para resolver um teste de Matemática?!
A besta ficou e a menina chorou.
A besta ficou e a menina pagou com a incompreensão dos que deviam protegê-la.
Cresceu nela a ideia de que tinha uma palavra a dizer no que respeitava aos irmãos e, sobretudo, ao Irmão-Filho.
Quando parti, já não era uma adolescente, era uma mulher a lutar pelo seu sonho, ainda com o olhar de esperança no futuro.
Mas ainda era uma mulher-Menina, que confundia muitas vezes o supérfluo com o essencial.
Nem sempre sabendo quando parar.
Quando soube notícias era já uma promissora estudante de enfermagem (o sonho ganhou contornos de realidade).
A verdadeira luta estava para chegar.
Chegou sem aviso e não lhe deu tempo para se preparar.
Reagiu, agiu.
Combateu muitas vezes, sei que sempre foi ponderada, mesmo quando não escolheu as armas certas.
Perdeu batalhas mas, acredito, não a guerra.
Está prestes a terminar, triunfante, mais uma batalha.
Falta o confronto final que vai ensinar-lhe que há guerras em que todos saiem vencedores por mais que percam até lá.
Hoje a Adolescente que conheci é MULHER, enche-me de orgulho e faz-me sentir honrada por me ter incluido no seu caminho.

Obrigada Micaela.

Aqui para nós

Se os amigos descobrem que "postei" um texto do Paulo Santos... isto vai ser um corropio.
Acreditem: é uma sem exmplo, perdão, exemplo.
Ai se isto se pega!!!

sábado, 15 de novembro de 2008

Um dia destes ainda volta



S.Miguel tem um desenho bastante feminino, visto do ar, maior porta de entrada.
Na sua estreita cinta, Ponta Delgada de um lado e Ribeira Grande do outro, polvilham a ilha de pequenas casas, que do alto parecem botões de hortênsias.
Num dos topos, a lagoa das setes cidades apresenta-se como o olhar da ilha, um olho de cada cor, espelhando as permanentes nuvens, entrecortadas aqui e ali, por um teimoso raio de sol que anuncia deitar-se ao fundo das águas de Mosteiros.
Do ventre emanam fumos que o centro da terra oferece, numa mesquela de cheiros e de temperaturas, medicinais, ou simplesmente misteriosas.

Em quase todos os recantos da ilha, há surpreendentes e mutantes visões do paraíso natural que incorrem em sensações díspares consoante o momento e a companhia.

Do Sol guardo o calor reflectido no mar ou o brilho ofuscante da sua imagem numa qualquer lagoa.
Das cinzentas nuvens as descargas tempestuosas e belas dos raios dos deuses que iluminam a noite mas atormentam as almas. Espectáculo único, mas repetido nos vários quadrantes.

Descendo, narro os cheiros, sulfurosos das furnas e da ribeira quente, aos floridos dos campos de chã, e intensos dos portos de pesca, ou ainda levemente doces ou brutalmente picantes das bocas de fogão das hortênsias de gente espalhada pelas ancestrais povoações, quase todas ribeirinhas.

O gosto do alho e do picante atirado aos tremoços, ou misturado no afonsino molho das cracas. O ácido do limão que banha as lapas amanteigadas. O paladar que perdura das postas de cherne gralhada na “Borda de Água”, a carne vermelha e batida que os bifes ali têm, fritados num alho bem português ou em limão galego.
O cozido do centro da terra. O picante chouriço, o estranho pé de torresmo, as morcelas que restam da matança do porco, o suco da sopa de fervedouro, ou mesmo os recheios do assado, são lembranças que me despertam sensações que só consigo descrever com os olhos fechados.

As pessoas descrevem-se em mágoas. Histórias colectivas de dramas individuais.
Mas também em abraços e solidariedade.
Assimetrias, mas que se esvaem, sob o artificio explosivo do fogo que aceita o ano novo e mata o velho, numa qualquer calçada da ilha, ou no pátio festivo de alguns.
As mesmas gentes e emoções que atiram balões de água aos carnavalescos foliões. A guerra das limas.
Ou aqueles que em meditação e silêncio percorrem o perímetro da ilha, cantando aos santos e a Deus, em cada uma das moradas que se lhes atribui, pisando os pés e o corpo como penitência.
Os mesmos que gritam nas ruas apregoando a distribuição da carne que ajuda à comemoração do espírito, que aqui é santo.
Os hospitaleiros anónimos que entopem a cidade, recebendo dos cantos do mundo, os que no Senhor Santo Cristo, procuram ou agradecem os milagres da vida e a tenacidade e esforço da distância.

Também as pessoas mudam, como as paisagens, as cores e o sentido da vida.
Mendigam migalhas e ajudas, que misturam no álcool e nas drogas na busca de visões mais límpidas das negras vidas que carregam.
Tratam as relações como puzzles cujas peças tentam encaixar ou mudar em função dos estados de espírito, ou da falta deles.
Mas esquecem as mágoas se se lhes bate á porta um folião, ou um parceiro braçal para enfrentar as intempéries da vida ou da natureza.

E há ainda as pequenas histórias de cada um, como a minha, que em tão pouco tempo absorveu cada um dos factos e dos sentimentos que abraçam cada micaelense.

Aterrei com a mala cheia de amor. E com frutos desse amor.
Ri. Chorei. Gritei. Pensei.
Trouxe orgasmos instantâneos, ou camas partidas pela sede do amor.
Trouxe partilha e comunhão, que repetir só intensifica.
Trouxe raiva e fúria, tristeza e melancolia. Injustiça.
Trouxe um filho que o amor me deu de fruto e que não soube amadurecer na arvore que o gerou.
Trouxe, graças a Deus, o arrependimento e a penitência.
E guardo-lhe saudade.
Texto do senhor que voltará em breve, espero eu e outros mais ainda, ao sítio do costume, de seu nome Paulo Santos.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Carta

Não sei porque é que me meti (ou deixei que me metessem) nesta aventura!
Tenho dificuldade em escrever... a coisa não flui como devia, ou como eu gostaria.
Enfim, como em muitas outras coisas na vida, deixo-me ir...
Faço mal, claro.
Já tive tempo de aprender a lição.
Mas sempre é uma forma de, os que estão longe, me ouvirem, entenda-se de me lerem.
É que tenho amigas difíceis de contactar.
Eu tento... mas entre sopas e papinhas, banhos e passeios, a coisa fica difícil.
Pois aqui estou.
Os rapazes grandes estão entretidos e distraídos (ou eu estou atenta), logo a boa da mãe tem computador.
Além disso, hoje o jantar foi quase de plástico e, portanto, rápido, o rapaz pequeno não dá trabalho à noite, o homem está na rua, por isso tenho tempo de ...
Matar saudades...
É o que isto é.
Matar saudades do tempo em que passava horas na net a conversar com amigos, a ler blogues interessantes, a descobrir gente fantástica, a conhecer outras tantas coisas fantásticas também enquanto ia vendo o canal dois (o meu meo).
Não tinha mais nada para fazer?!
Tinha o mesmo que agora, mas mais tempo.
A vida depois da vida, quase me apetece dizer.
Nos açores havia paz.
Em Penalva havia calma.
Aqui (já me tinha esquecido) o ritmo é outro.
Tudo é diferente.
Até as minhas turmas são diferentes. Mais aceleradas. Exigem ainda mais se é que isso é possivel.
Enfim, acho que ainda estou em fase de adaptação ao canto da cidade grande.
Mesmo que um dia me sinta aqui como peixe dentro d'água, vou sempre ter saudades desse outro tempo.
Devia, talvez, escrever uma carta em vez de um post.
As cartas têm cheiros que dizem tanto como uma mão cheia de palavras, senão mais...
É post, é post...
Mas...
Beijos desta que vos adora




quarta-feira, 6 de agosto de 2008

INTERVALO


Estou de férias há quase duas semanas e HOJE foi o dia de passar a tarde a deambular por alguns blogs bem interessantes.
Os filhos não exigiram muita atenção e eu permiti-me um tempinho para aqui vir
Vim tarde... gastei o tempo disponível a ler e já tenho o pessoal todo cá em casa a pedir atenção (é que eles estão de FÉRIAS), especialmente o mais pequeno que não pára de gritar:
"Mãe, quero ir ao Colombo comprar qualquer coisa para mim."
E pensar que até à passada segunda-feira o rapaz nem sabia o que era o Colombo!
Até já... espero

Chegaram!!!





Estou de férias!!!

A D. M também...

domingo, 16 de março de 2008

domingo, 20 de janeiro de 2008

A manhã... ou a tarde... ou a noite... sei lá... qualquer coisa

Hoje o dia começou bem... não como previ, mas bem.
Deveria ter ido a um lugar aprender algumas coisas e acabei indo a vários e aprendendo outras tantas coisas.
Aprendi que caminhar sem pressa é muito bom, sem stress ainda é melhor, bem acompanhada, então...
Um bom pequeno almoço é a primeira coisa importante do dia, para mim, claro! Não funciono bem com fome... (alguns dirão que nem com fome nem saciada... vozes de burros não chegam ao céu).
Hoje não houve tempo para a primeira coisa importante do dia e descobri outras coisas importantes, tais como:
mais importante mesmo é não embirrar com os outros porque não fiz primeiro a minha primeira coisa importante do dia
quando não embirramos com os outros eles não embirram connosco
Por fim, um pequeno almoço tardio pode ser fantástico (mesmo que pobre em nutrientes) e levar-nos de volta a paragens que já esqueceramos.
Depois do quase-almoço, uma quase seca que não chegou a ser porque a companhia não favoreceu o tédio.
Ao fim da tarde uma ida às compras abortada no local por ausência do tal cartão fast que não é da gasolineira. Tarde que terminou já de noite... com as compras feitas, que objectivos são para cumprir, mesmo que num hiper-mercado virtual.
A noite começou com um jantar feito a dois, saboreado a quatro, regado com um bom vinho alentejano.
É mesmo bom o raio do vinho...
O serão foi passado à frente do televisor. Acabou a OT... e viva o Ricardo...
O vinho era mesmo bom...
Amanhã... se não houver boicote... sushi para o almoço.
Caseiro... home made...
E... vinho. Já ficava satisfeita se viesse da mesma garrafeira do de hoje.
E... boa disposição a acompanhar.
Agora vou fazer óó.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Hoje eu...

Em jeito de avaliação, um dos meus alunos disse-me:
"Hoje, eu fiz tudo quase bem!"
Gostava de poder dizer o mesmo.
O problema não está no "fiz"... nem no "tudo"... nem sequer no "quase"...
Está no "bem".
Palavrinha difícil!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Para uns não é novidade, para outros será...
Uns gostarão de saber, outros nem por isso, outros, ainda, estar-se-ão a borrifar. De qualquer forma fica a informação: Mudei-me... outra vez!!!
Voltei a viver na grande cidade.
Afinal o Miguel já não vai ficar longe de mim por tanto tempo.
A Família de Lisboa pode respirar de alívio... mas não muito, nem por muito tempo...
Agora não serão solicitados só pelo médio mas também pelo Benjamim, que já os adoptou como seus avós, tios, primos... sei lá... às vezes acho que mesmo como pais e irmãs!
Por mim... dou-me a pensar no que será daqui para a frente: sempre a subir?!
Por enquanto acampo, acampamos todos (sempre quis experimentar).
No trabalho tacteio os espaços e os que me rodeiam.
Tudo velho e tudo novo, simultâneamente.
Estranho.
Estranho tudo... as gentes e os lugares.
Custa a crer que tenham sido um dia familiares.
Estranho as impressões porque esperei encontrar tudo como dantes e sentir tudo como dantes.
Descubro que não mudei tanto como pensava ter mudado.
Descubro que tenho de mudar mais e tornar-me, talvez, menos sensível à mudança (ridículo se pensar que sempre achei que deveria acontecer o inverso).
Amanhã?!
Há por certo um amanhã.
Como será?
"O futuro a Deus pertence", dizem alguns papagueando a sabedoria do povo.
Mas há quem ache que todos temos o nosso destino marcado.
Eu prefiro acreditar que depende de mim. Há-de ser um bom futuro. Duma forma ou de outra...será um bom futuro.
Voltei...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Dádiva


Filhos...

Filhos são cadilhos, diz o povo.
Sábio, o povo.

Tantas alegrias, tanto orgulho, tanta emoção são capazes de dar.

Quando são pequeninos, muitos conseguem pressentir a dor dos outros... E aproximam-se... Acarinham... Acalmam...

Por vezes aprendem a ler sozinhos ainda antes de entrarem na escola. Que orgulho para os pais!

Fazem amigos por todos os lugares por onde passam e conseguem conservá-los por muito tempo. Quando se está longe, manter um amigo, manter o contacto, alimentar a amizade não são coisas fáceis (especialmente se somos muito jovens). Mas há jovens que conseguem.

Perceber que vivem debaixo do mesmo tecto que nós, os pais, e não conseguimos estar tão próximos como os amigos que vivem a km é terrivel. Quem são estes jovens?
Umas vezes reconhecemo-los, reconhem-nos, outras olham para nós, os pais, como se fossemos aliens e nós pensamos "quem é este jovem à minha frente?!"

Mas vamos sempre tentando compreender as mudanças (acompanhar é outra história), vamos perdoando os disparates, os abusos, as ofenças (não têm intenção, acho).
Eu, contra mim falo, sou uma "perdoadeira". Perdoo as mesmas coisas várias vezes, prometo a mim mesma que não vou perdoar mais e... dou por mim a perdoar outra vez...

Agora, pergunto: os nossos filhos fazem o mesmo esforço que nós?
Preocupam-se com o que pensamos?
Devem preocupar, por isso é que, às vezes mentem... Deve ser para nos poupar...

Porque é que não consigo acreditar nisto... Qual quê, mentem para se defenderem do "chá", do castigo...
Será que sou eu que estou a ver tudo mal?!
Não deviam, os nossos filhos, preocupar-se connosco?
Não deviam fazer um esforço para entender as nossas razões?

Será que os nossos exemplos de honestidade, compreensão, atenção, carinho é que foram parcos?
Será que já os fizemos sentir como nos fazem sentir a nós?
Injustos.
Mal amados.

Claro que já... decerteza... uma vez ou outra.
E quando demos conta disso? Pedimos desculpa? Dissemos que amavamos?
Claro que sim... uma vez ou outra.

E quando temos razão e ralhamos, castigamos tirando o que mais querem, lembramo-nos de dizer que os amamos? Mesmo que estejamos a ser baleados com balas-raiva ou bombardeados com misseis vocais... é importante dizer que a surpresa de descobrir que não são perfeitos e que cometem erros não diminui o nosso amor.

Os filhos não nos desiludem, não conseguem...
O que acontece, pelo menos comigo, é que nós nos desiludimos. Sentimos que algo falhou, que o primeiro erro foi nosso.

Mesmo assim, espero dos meus filhos a capacidade de me aceitarem como sou e de se esforçarem por tentar compreender os meus motivos.

Será que esta é uma espera longa?
Será que alguma vez vou sentir o que espero?
Cá continuo a esperar.

A eles, peço que esperem que eu consiga mostrar-lhes que são o melhor presente que alguma vez recebi.

Mas entretanto vou dizer aos meus filhos que os amo.

Despedida


É amanhã...
Amanhã levo um dos meus rapazes para viver longe da minha vista.
Porquê?
Sempre ouvi dizer que este era o meu rapaz. O preferido da mamã. O protegido da mamã.
Devo admitir que, até hoje, não aceitei (e continuo a não aceitar) tal teoria.
Não, o Miguel não é o meu preferido mas é o que sempre me preocupou mais.
É o mais sensível, é o mais directo, diz o que pensa sem medo das consequências, não tem receio do confronto, não se acomoda, provoca...
Sabe atingir mortalmente quem o desilude.

Ainda não aprendeu que, na vida, tudo tem retorno.
A vida é como o mar, mais cedo ou mais tarde, devolve tanto de bom como de mau conforme o que lhe entregamos.
O Miguel, como qualquer criança (perdão pré-adolescente), tem vindo a descobrir que não somos todos iguais, que, por vezes, não podemos agradar a todos, não conseguimos tudo o que desejamos da forma como o imaginamos... e reagiu...
Escolheu caminhos que trouxeram maus resultados e perdeu confiança em si mesmo. Perdeu a confiança e admiração dos que antes faziam dele um super menino.
Na sua forma de ver o mundo, a sua verdade é a única. A verdade dos outros não conta.

A verdade, ou lá o que isso seja, é que o Miguel é demasiado grande para este meio em que vive. Está a acomodar-se e a perder oportunidade de mostrar o que vale. Está a escolher os caminhos que lhe dão a ilusão de ser o maior. E tem tido apoio, devo dizer, da própria mãe que não tem conseguido mostrar-lhe esta pequenês. Talvez o truque seja mostrar-lhe outros céus e deixá-lo voar.
Vai voar, o meu filho, vai voar sob o olhar atento e mais aberto do pai. Conto com a família de Lisboa (felizmente é grande e das melhores que podemos desejar) para lhe servir de rede se cair , para partilhar o ninho quando sentir falta das outras crias.
Eu vou estar por aqui... por aí... a torcer pela felicidade das crias destes ninhos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

De volta


Depois de um recado bem dado, decidi pegar no teclado e... teclar.
Já lá vai um tempito...
Entre uma gripe viral do meu computador, que não há meio de passar (este degraçado não tem médico de família, deve ter a mania de que é gente) e uma certa angústia, que não se limitou a vir para o jantar, sem saber que seria da minha vida profissional, o tempo foi passando e as palavras ficaram presas sei lá onde...
Mas pronto, comecei a trabalhar. O mesmo trabalho, os mesmos locais mas novos desafios.
Numa altura em que se fala de depressão provocada pelo terminar das férias e o regresso ao emprego, eu dou por mim na maior das alegrias porque chegou o primeiro dia de trabalho.
Talvez seja essa a diferença: eu tenho um emprego que entendo como trabalho.
Na minha profissão não faço todos os dias as mesmas coisas.
O trabalho que escolhi leva-me todos os dias a mundos diferentes.
No meu trabalho tenho o privilégio de aprender a ver nas trevas, a ouvir com os olhos e com a pele, a comunicar com o olhar e com todo o corpo, a pensar como uma criança que sofre por não ser aceite, a sentir como um dependente, a celebrar a água que corre numa torneira ou a luz que se acende como se de bençãos se tratasse...
Acima de tudo, permite-me conhecer seres humanos maravilhosos e perceber que a riqueza está na diferença. Que aprenderíamos uns com os outros se fossemos todos iguais?
É difícil? É.
É desgastante? É.
É frustrante? Ás vezes.
É emocionante? É.
É compensador? Muitas vezes.
Basta-me para dizer:

MENINOS, VOLTEI!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

RECADOS

Costumavam ser escritos numa folha de papel e lidos com uma semana de atraso...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Lar, doce lar...



Há quem sonhe com uma casa para morar e outra para passar as férias.
Há quem tenha uma casa para morar e outra para passar as férias (poucos, já se sabe).

Há muito, muito tempo, sonhei com a minha casa.
A minha casa seria pequena e nela viveria apenas eu. Teria flores nas janelas e um jardim com um roseiral.
Há menos tempo, sonhei com a minha casa.
Viveria numa roulote e pousaria onde me apetecesse, de preferência sempre perto de um jardim com um roseiral. Continuaria a viver só.
Há menos tempo ainda, sonhei com a minha casa.
Não importava onde seria, não importava se teria flores nas janelas ou jardins por perto, não era importante o tamanho. Importante era viver nela com alguém.

Nunca vivi sozinha numa casa com flores nas janelas, nem numa casa com rodas...
Mas vivi numa casa, em lugares sempre diferentes, quase sempre perto de jardins sem roseiras, algumas vezes sem flores nas janelas, nunca sozinha.
E fui feliz...

Há demasiado tempo que tenho duas casas, moro nas duas, mas gostaria de demorar apenas numa.

Hoje sonhei com a minha casa.
Não importa onde será, não importa se terá flores nas janelas ou um jardim com roseiras.
Não importa o tamanho, terá, apenas, de ser suficientemente grande para albergar a minha felicidade, ou seja, a minha família e os amigos.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Reflexo


Quando a vida não é como gostaríamos que fosse, quando as pessoas à nossa volta não nos entendem, quando não nos dão as respostas que gostaríamos, que fazer?!
Procurar culpas ou desculpas, não resolve o nosso problema.
Tentar fazer os outros sofrer porque sofremos, não trás vantagens.
Se não nos sentimos bem, não será porque o problema esta em nós?
Em vez de perdermos tempo com pequenas coisas que só nos afundam ainda mais, porque não mudar de atitude?
Por vezes perdemos anos a esperar que alguém nos compreenda, alguém que nos aceite como somos, alguém que nos ofereça a felicidade. Nem damos conta que esse alguém é aquele que o espelho reflecte... nos próprios.
A verdadeira felicidade está em nós. Mas todos precisamos de nos sentir amados.
Quando conseguimos perceber quem somos é mais fácil amarmo-nos e deixarmo-nos amar.
Enquanto insistirmos em procurar-nos nos outros perderemos a oportunidade de nos conhecermos.
Tantas vezes achamos importante ser reconhecido como igual.
Igual a quê?
Igual a quem?
Não temos de ser iguais.
A grande riqueza do universo reside na diversidade.
As diferenças não impedem as relações (sejam de que tipo forem). É o desrespeito pelas diferenças que as mata.

Por isso, deixemo-nos de tretas!
Não é magoando alguém que lhe mostramos a dimensão do sentimento (supostamente bom) que carregamos connosco.
Esse sentimento não é... não pode ser bom... nem para nós nem para o outro.
Não nos amamos ou respeitamos quando o que fazemos irreflectidamente (ou não?!) fere os sentimentos dos outros.
Jesus dizia: "Ama o teu próximo como a ti mesmo"
Partia do princípio de que todo o ser humano sabe amar-se.

E quando não sabe?!


quinta-feira, 24 de maio de 2007

Xitilina e o Patinho Feio


Xitilina é a namorada do Patinho Feio há mais ou menos vinte anos... talvez um bocadito mais.

O Patinho Feio era um magrela que, lá no fundo já sabia que era cisne. Magrela, um pouco estrábico, asinhas curtas que se haveriam de tornar longas e poderosas.

Os seus primeiros voos já foram logo mostrando que podia ir longe. Talvez, nessa época não soubesse quão longe se elevaria no seu voo.

Mas a Xitilina viu as gentes serem tomadas de uma simpatia por este aspirante a cisne, viu muita gente de flor não mão só porque o Patinho pediu, viu lugares transformarem-se em maravilhas de uma região porque o cisne deu a conhecer o seu valor, viu outros patinhos e patinhas seguirem o seu exemplo e transformarem-se em cisnes brilhantes a voarem como nunca imaginaram que poderiam.

Para todos estes o Patinho já era cisne.

E era! Voou ainda mais alto e chegou ao lugar onde podia, pensou, finalmente parar de bater as asas.

Sentia-se lindo pela primeira vez.

E sempre, depois de cada voo, regressava ao seu lago para repousar perto da sua namorada.

A Xitilina, ao contrário do que se possa pensar, não era um patinho, muito menos um cisne. Era uma flor, um nenúfar. Mesmo assim viu todos os voos do seu amor. Acreditou em todos eles.

Nem sempre conseguiu acompanhar os rumos que o Patinho/Cisne escolheu. Não podia. Não tinha asas.

Sem asas para voar e sem voz para gritar:

"Pára! Já não estás a voar. Vais cair!"

Não conseguiu evitar a queda a pique.

O Cisne voltou a sentir-se patinho e feio enquanto caía no abismo.

Xitilina teve de crescer, as suas flores foram gigantes pela primeira vez em toda a sua vida, as suas folhas nunca haviam sido tão resistentes. Xitilina sabia que o corpo exausto do seu Patinho dependia delas para não afundar quando finalmente tocasse a água...

Não!

Desta vez não digo: "Vitória, vitória, acabou-se a história!"

Porque esta pode muito bem ser uma história de "Era uma vez..." mas não terminou...


quinta-feira, 17 de maio de 2007

ÁFRICA

Os meus pais viveram trinta anos em Moçambique, e se não ficaram mais tempo... o tempo todo por lá, foi por temerem pelo futuro dos seus filhos.
Pensando bem... acho que o meu pai, a minha mãe talvez, mas o meu pai tenho a certeza que continuou por lá. África ficou entranhada na sua pele.
Se hoje recordo tantas coisas sei que o devo a eles porque não me deixaram esquecer.
O espírito de África permanece em mim e no resto da família.
Através da Internet e de alguns amigos posso hoje ver os lugares onde vivi, os que não pisei mas, de tanto ouvir falar, quase conheço.
Mas a verdade é que só conheço as lembranças desses sítios, e algumas nem são bem as minhas ... são mais, como que, lembranças das memórias dos meus pais e das minhas irmãs.
Tenho saudades das histórias do meu pai.
Fazem-me falta as recordações da minha mãe.
Lamento ter tardado a aventurar-me neste mundo virtual.
Se os meus pais estivessem aqui que maravilhoso seria levá-los de volta àquelas terras que conheceram... Mesmo que de uma viagem virtual se tratasse.
Que visitas guiadas poderia fazer...
Quantas histórias poderia ilustrar...
Quantas lembranças mais poderia tornar minhas...
Quantas lágrimas de felicidade ou da memória de uma felicidade poderia ver nos olhos deles?!
Com o meu pai aprendi que as lembranças são asas poderosas que nos fazem voar e nos transportam para onde queremos estar.
E as lembranças do meu pai eram tão poderosas que me levaram em muitos voos com ele.
Eram tão poderosas que deixaram de ser só dele e passaram a ser de todos os que bebiam cada palavra que dizia.
As nossas viagens ao passado acabavam sempre em África.
Os amigos que nos visitavam eram sempre patrícios.
Quando falo com outras pessoas que nasceram ou viveram em países Africanos encontro esta mesma paixão nas palavras.
Não pode ser só das pessoas... tem de ser...
ÁFRICA

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Lamentos

Hoje choro pelo Ontem.
Não lamento os caminhos percorridos, mas os motivos que me levaram a percorre-los.
Não lamento alguns encontros, mas lamento os desencontros.
Não lamento os sentimentos, mas lamento a razão que ignorei.
Não lamento as ilusões, mas lamento as desilusões.
Não lamento os gritos, mas lamento os silencios.
Não lamento ter condescendido pelos outros, lamento ter sido pouco condescendente comigo.
Não lamento ter estado lá pelos outros, lamento ter estado pouco por mim.
Devia ter pensado mais...
Devia ter escutado mais...
Devia ter gritado mais...
Devia ter agido mais...
Devia ter sonhado menos...

sábado, 5 de maio de 2007

Vida


A vida é feita de sensações e de memórias de sensações. Tenho um amigo que insiste em lembrar as más baseado em datas, como se pensasse: “Hoje é dia de sentir aquilo outra vez.” Quando lembra as boas é com uma saudade tão triste que chega a incomodar. E precisa de ajuda para recordar quando aconteceram. A minha memória prende-se a acontecimentos, ao contrário desse amigo, não fixo datas. Não esqueço as coisas que me magoaram profundamente, mas tenho dificuldade em lembrar quando aconteceram. A não ser quando as datas estão coladas a outros acontecimentos, como o nascimento de um filho ou datas festivas que somos obrigados a lembrar por força das circunstâncias. Também não esqueço as coisas boas que me aconteceram, mas mais uma vez se coloca a questão das datas. As datas não têm valor para mim. Já as emoções perduram para sempre. E como são sensações sentem-se na pele e deixam cicatrizes. As cicatrizes avivam-nos os sentimentos e, portanto, nao importa quando foram provocadas. Ao roçarmos uma cicatriz sentimos outra vez aquilo que a provocou... e revivemos. Nada do que é realmente importante, nada do que nos fez verdadeiramente felizes, nada do que nos magoou se esquece. Estas coisas são aquilo que somos hoje. Não é importante saber quando nos tornamos naquilo que somos. Importante será, talvez, saber como, porquê... Que me perdoem os amigos por não lembrar as datas dos seus aniversários... Lembro como os conheci, em que circunstâncias... Lembro coisas que sentimos juntos... Lembro-os... por muito tempo que passe e os kilometros nos afastem... Lembro-os... mesmo que nunca os tenho tocado... Lembro tudo o que passou por mim e me fez SENTIR.

Acne

Será que o acne é um mal obrigatório na vida das pessoas? Eu nunca tive acne quando tinha idade para o ter. Será que não há uma idade própria para sofrer deste mal? É que agora, aos 40, a minha pele surge muitas vezes com pequeninos aliens que esperava, sinceramente, não vir a conhecer. Será que é o corpo a tentar acompanhar o espírito?! Aos 13 anos ainda brincava ao faz de conta e ás vezes com bonecas, o que não é comum hoje em dia. Aos 18 tinha já mais maturidade do que a maior parte das raparigas de 25 que conheço hoje. Terá sido por isso que não tive as borbulhinhas tão odiadas? Será que já nessa altura o corpo me dava sinais?! Haverá uma relação tao íntima entre o físico e a mente?! Hoje, olho à minha volta e vejo que grande parte das amigas da minha idade parecem muito mais velhas (falo do espírito, claro) do que eu. Fui eu que cresci devagar?! Elas não têm acne!!! Nunca usei cremes, bases e outras coisas que tais. Terá sido a falta destas papas o que retardou o aparecimento das malfadadas borbulhas?! Será que os meus poros resolveram reclamar mais atenção?! Hoje uso, quase sempre. Melhora um bocadito o aspecto... mas nao me fazem voltar a ter 18 anos. Nao vale a pena tentar transformar esta prosa numa poesia. Há que enfrentar a realidade. Sou uma mulher de quarenta anos com borbulhas na cara. ... Também sou mãe de um adolescente e de um pre-adolescente. Pois, pois... Pode ser... Chama-se solidariedade (o facto de ter borbulhas, claro)! ... Nahhhh!!! Sou mesmo uma mulher mãe de quarenta anos com acne.

Parvoices...ou talvez não

O que é uma relação aberta? Alguém me explica? Há alguma relação fechada a contrapor? Porque é que enfeitam a cabeça dos traidos pelos companheiro(a)s com chifres? Tanto quanto sei os animais com cornos nao têm culpa. Há até quem use essas protuberâncias como troféu. E as exiba com orgulho. Eu até nutro uma especial simpatia por vacas... e mais especial ainda por carneiros! Que história é esta de não afirmarmos a nossa orientação sexual de forma clara? No Hi5 muitos de nos dizemos: digo-te depois. Depois quando?! Quando nos encontrarmos? Quando... o quê?! Contra mim falo. Quando muito poderiamos dizer: não vos diz respeito. Mas essa e uma opção nao válida. Poderiamos simplesmente ignorar a questão. E... podemos sempre dizer a verdade. Não há melhor forma para dizer: assunto meu. Respeitem. E que me dizem desta nova forma de linguagem escrita que muitos já adoptaram para comunicar através de sms, dos comentários no Hi5, no messenger... É para poupar tempo? É para poupar espaço? Para poupar os teclados não é concerteza. Já repararam que as mesmas teclas sao usadas vezes sem conta? E há outras, em contrapartida, que nunca são tocadas... e discriminação... no mínimo! Já para não falar da dificuldade (para não dizer impossibilidade) em decifrar a mensagem. Ahhhh! É esse o objectivo?! Não me tinha ocorrido!! Claro que os prejuízos que daqui advem na aquisição de competências ao nível da leitura e da escrita, nem vale a pena analizar. Por outro lado, podemos sempre considerar esta habilidade linguística como o nascimento de um dialecto. Mas sabemos, infelizmente, o que acontece, mais cedo ou mais tarde, aos dialectos... Voltando a questão da descodificação. Conseguir decifrar o conteúdo duma destas mensagens exige um esforço cognitivo consideravel... e isto pode bem ser entendido como bastante positivo. Ao fim de um tempo, conseguimos até decifrar mensagens em línguas que não dominamos. Isto so pode ser bom. Mas se encontrarmos um desses amigos frente a frente, que faremos?! LOL!!!!

Minha terra! Minha Terra!!!


Nasci em Moçambique, numa cidade à beira mar que não tive a sorte de conhecer o suficiente para me lembrar: Pemba. Diz, quem conheceu, que a cidade era linda. Mas recordo outros sítios onde vivi com os meus pais e irmão. As minhas memórias começam em Quinga, quando tinha três ou quatro anos. Atrás da minha casa ficava o mar, no jardim um baloiço. Algures uma grande escadaria e havia também um café onde amendoins torrados se escondiam atrás do balcão. Eu sei porque ia come-los a socapa. Isto tudo sei que e verdade porque o meu pai confirmou quando, um dia, lhe perguntei com receio de ter sonhado. Não sonhei... era certo. Mais tarde mudamos para Metangula, no Lago Niassa. Deste lugar lembro muitas coisas. Quando chegávamos de avioneta, a sensação era de poisar na água. Quando fazíamos a viagem de jipe passávamos em Maniamba. Lembro esta terra pelas ruas de terra vermelha, muito limpas e pelo cheiro a eucalipto queimado em montes a beira da estrada. Sim... havia eucaliptos em Maniamba! Em Metangula estávamos rodeados de serra e água. A agua doce e ondulada do Lago Niassa. Não havia baloiço nesta casa, mas havia uma machamba com papaeiras altas que davam frutos enormes. Havia galinhas, patos, cabritos (foi aqui que vi, pela primeira vez, nascer um cabritinho), havia camaleões no mato ao lado da casa. Quando chovia, brincava com os bichinhos vermelhos de veludo que saiam de dentro da terra. Eu e o meu irmão apanhávamos todos os que podiamos para meter dentro dos carrinhos feitos de caixas de fósforos. A noite os bichinhos de veludo davam lugar aos pirilampos e os nossos carros ficavam verdes... Havia mosquitos minúsculos que nasciam no Lago. Num instante uma nuvem preta, no seguinte estavam em terra a entrar pelos nossos olhos, boca, nariz... Havia quem os apanhasse para preparar um pitéu com sabor a peixe. Perto da escola havia uma mangueira com mangas pequeninas e doces. Ate hoje estou convencida que, um dia, engoli um caroço... delírios de uma miúda de seis anos. Quando íamos ao bazar da Marinha a minha mãe levava umas chávenas para comermos os sorvetes enquanto ela fazia as compras. Eram cremosos... deliciosos... Parecidos, os do Damião em Vila Franca do Campo e os do McDonalds. Lembro o Missionário italiano da Missão... recebi a minha primeira comunhão da sua mão enrugada. Lembro-me de aprender a nadar na praia da Chiuanga (??). Areias brancas, água bem doce, ondas suaves (as vezes)... nadava como os patinhos: cabeça para baixo e rabinho para o ar! Lembro-me de brincar as casinhas com as minhas vizinhas e de cozinhar em fogões feitos com brasas que íamos buscar a padaria. Brincar com o fogo é perigoso... O meu irmão que o diga. Um dia queimou uma perna e la se acabaram os almocinhos! Recordo os embondeiros, árvores gigantes, com raizes loooongas. E o malambe?! Difícil de abrir, ácido... mas eu adorava. E nem gostava nada quando encharcavam aquelas bolinhas brancas em água e açúcar... não... ao natural é que era... Ai! Ai! Que saudades...

Pensamentos

"Se nos apegamos tanto ás coisas e ás pessoas, quando elas partirem não partirá também uma parte de nós? É muito melhor nos apegarmos a pensamentos para sempre do que aquilo que agora está aí e que, um instante depois pode desaparecer." Richard Bach

O Favorito

Desejei aos amigos um fim de semana louco... desejo que se divertam... que "farrem" muito... Partilhem os vossos tempos com os amigos porque não há nada melhor. Mas isso vocês já sabem. Do meu... nem sei se fale!!! Nahh.. É melhor não. Mas o próximo vai ser de arromba. Vou estar com alguém muito especial que não vejo há muito, muito tempo. E que vem MESMO para me ver (há sensação melhor?). Vou conhecer a sua família. Vou beber um vinho... e... talvez não dizer nada. Afinal?! Que há para dizer?

Amizade

Fazem-me falta os amigos. Sei que os que são amigos verdadeiros estão presentes em espírito, torcem por mim nas horas difíceis, não esquecem e não são, por certo, esquecidos... Mas a verdade é que sinto falta do contacto físico, de partilhar os mesmos espaços, de beber um copo, de dançar, de conversar ouvindo as suas vozes, de jogar um king, de olhar nos olhos. Era assim antes... A casa sempre cheia, a mesa parecia pequena mas havia sempre lugar para mais um... Habituei-me a partilhar tudo com quem vinha... e vinha sempre alguém! Hoje sinto-me mais só, que me perdoem os filhos mas nem só deles dependemos para ser felizes, tal como os meus sabem já que ter amigos é fundamental. Cultivam esse saber, partilham também os seus tempos e espaços com os deles. Acho que sinto, acima de tudo, falta dos amigos quando me sinto bem, quando há motivos para celebrar ou... de não fazer nada a não ser... estar.

Eu sei que também já fui adolescente


Filhos... num dia conhecemos bem estes seres que partilham connosco espaços, objectos, emoções, descobertas maravilhosas, amigos, dificuldades, angústias, alegrias... noutro despedem-se de nós com um beijo, saiem e quando voltam são outros. Nós previmos as mudanças, imaginamos como seriam quando fossem maiores... mas perceber que já aconteceu é duro. Quando foi, que não vimos? Então, nao avisam?! E agora? Ainda por cima há coisas de que não gosto lá muito: os penteados, a moda das calças ao fundo do rabo, as camisolas dois numeros acima, as respostas rápidas seguidas de perguntas que não são mais que manobras de diversão, a escola que passa a ser um ponto de partida para actividades muuuiiiito extracurriculares. Só resta esperar que não esqueçam do que ensinamos acerca do respeito pelos outros e acima de tudo do respeito por si próprios...

Então e as VACAS????

Ontem esqueci-me de falar das vacas... esses animais que enfeitam as encostas dos montes açoreanos. Até delas tenho saudades... embora as prefira ao looonge... são criaturas problematicas. Mas, embora com alguma dificuldade, já perdoei uma certa vaca que se apaixonou pelo meu carro e lhe deu um valente encosto, e uma outra aspirante a vaca (vulgarmente conhecida por vitela) que, ainda em fase de aprendizagem, pensou que depois de subir poderia descer com facilidade, esquecendo-se que descer e mais difi
ícil e a maior parte das vezes as descidas acabam em valentes escorregadelas...a essa só tenho de desculpar o susto. Não fosse o meu carro no caminho...não sei, nao... não fosse ela uma aspirante... e não sei se perdoaria... Mas, enfim... as vacas tinham de ser lembradas.

29janeiro2007

Mentira

É mentira que a saudade mata. A saudade faz-nos recordar o que foi bom. Hoje passei-me, fiquei triste e liguei o rádio e ouvi musicas dos meus tempos de ouro (todos temos um tempo que é de ouro). Foi fantástico, os miudos nao acharam muita piada mas condescenderam e não mudaram para a rádio cidade. Mais tarde, alguns afazeres domésticos e lutas com os sonos do Tomás e do Miguel mais tarde, consegui vir à net. Fui pesquisar... Achei as Capelas e recordei... Essa terra que me acolheu quando, sem saber se tinha feito a escolha certa, cheguei para trabalhar. Quando voltei, trouxe comigo o cheiro que detestei durante tanto tempo mas que hoje, sempre que sinto, me tras memórias valiosas. Terra que foi a primeira a ver os meus rapazes apaixonados. Terra que foi a primeira do Tomás. Terra que me viu levantar e começar de novo. Que saudades... Saudades do cheiro mau e dos cheiros bons , da luz diferente todos os dias, da paisagem de cortar a respiração, da pimenta da terra, da morcela com ananás, do pé de torresmo, da broa da Antonieta, do convívio no Larico, das Amigas, das Comadres, do Espírito Santo, do Fervedouro da Dina, do recheio de D. Senhorinha, do inhame, do riso do Aires Jr, do Halloween, do cherne, das canções entre amigos a volta da mesa... saudades, sobretudo, da sensação de integração plena. E digam lá se a saudade mata?! Nós é que temos de matar a saudade... recordando.

28janeiro2007

Tomás


O Tomás não escolheu o dia para nascer. Eu fiz essa escolha por ele. E escolhi o dia mais curto no ano com a noite mais longa. Porquê?! Não sei. Sei que percebi, depois do seu nascimento, que a minha vida estava envolta nas trevas. Sei que o Tomás foi a luz que me ajudou a ver por onde ia. Sei que foi o farol que me orientou. Sei que é, até hoje, o fogo que aquece e ilumina esta família nas horas mais duras.

PARABÉNS TOMÁS
21 Dezembro 2006